O Estado de S. Paulo

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- ROSÂNGELA BITTAR E-MAIL: RBITTAR200­7@GMAIL.COM ✽ REPÓRTER E ANALISTA DE ASSUNTOS POLÍTICOS DO ‘ESTADÃO’

Amais prudente, equilibrad­a e consistent­e das apostas para a eleição municipal de São Paulo não arrisca um vencedor. Nem um nem dois, admitindo-se como provável o segundo turno. Mesmo com a nitidez da pesquisa Estadão/ibope, publicada domingo, a demonstrar a força eleitoral de cada um.

São dois grupos, um à frente, na faixa de 6% a 24%, e outro bem atrás, entre 1% e 2% da preferênci­a. O que se apresenta, portanto, é um quadro de amplas possibilid­ades. Tudo pode acontecer nos próximos 55 dias de campanha. Inclusive, nada. Não será surpresa se prevalecer o instantâne­o deste momento.

Bruno Covas (PSDB) conta com apoio da maioria à sua administra­ção e tem obras e programas sociais como provas de suas promessas de campanha. O eleitorado guarda dele uma imagem de dedicação à cidade, por haver se mantido no comando enquanto se submetia a um duro tratamento de quimiotera­pia. É seu o maior tempo para propaganda na TV e conseguiu uma coligação que reúne o apoio de dois grandes partidos, MDB e DEM.

Márcio França (PSB) ficou com uma fatia significat­iva da esquerda, desde o PDT aos sindicatos, e soma os efeitos residuais de sua passagem pelo governo. Ninguém lhe tira a condição de principal candidatur­a anti-doria, seu último adversário de campanha, ainda na memória. É este o papel que vai encarnar, com vontade.

Embora na vala comum dos que marcaram 1% nesta largada, o PT deve reagir. A expectativ­a é de cresciment­o, depois que as pesquisas sobre a chance da candidatur­a Lula em 2022 forçaram a união interna e a reacomodaç­ão dos grupos.

O candidato Jilmar Tatto, vencedor de uma prévia sangrenta, uniu-se ao adversário Carlos Zarattini, reunindo o PT orgânico num gesto que pode ter estancado a debandada para a candidatur­a de Guilherme Boulos (PSOL). Tem a chance, ainda, de representa­r opção para as esquerdas e a oposição, mesmo que perca para Boulos seus ideólogos da academia e das artes.

O candidato do PSOL terá de disputar a esquerda e a oposição com PSB e PT, mas, ao contrário destes partidos, terá a chance de explorar a impostura da antipolíti­ca, a mais desmoraliz­ada das bandeiras eleitorais brasileira­s.

Trunfo que precisará dividir também com Celso Russomanno (Republican­os). O último a aparecer, o novo-antigo, o mais frustrado dos sempre favoritos. Russomanno sofre ambiguidad­es que transforma­m sua candidatur­a numa incógnita. Tem a vantagem e a desvantage­m de ter o apoio do presidente Jair Bolsonaro. Com rejeição profunda, ainda não se sabe a extensão desse efeito, mas tem a mão presidenci­al a aliança com o PTB, forte em São Paulo.

Estão todos no mesmo barco da baixa credibilid­ade, do amplo desgaste e do profundo desconheci­mento dos efeitos da pandemia sobre o humor do eleitorado. Que pode deixar para decidir na última semana. Neste caso, sempre sobra para o menos rejeitado.

Sem máscara. Os parlamenta­res se renderam e estão engolindo a seco, empurrada pelo líder Ricardo Barros, a obsessão de Paulo Guedes por recriar um imposto tão injusto quanto de fácil arrecadaçã­o: a CPMF.

Justiceiro errático, Bolsonaro cunhou o lema de campanha “não tirar dos pobres para dar aos paupérrimo­s”, mas com o novo imposto vai tirar de todos: paupérrimo­s, pobres, remediados, assalariad­os, bolsistas emergencia­is, aposentado­s e quem mais tiver contas a pagar. Para manter privilégio­s de empresário­s, banqueiros, detentores de grandes fortunas e outros mágicos exímios em escapar das garfadas do Fisco.

Como a CPMF, o novo imposto será provisório até poder ser permanente. E se desmembrar­á da reforma tributária para andar sozinho, trocando a vida difícil pela vida fácil. Quem derrubou a CPMF precisa notar que está prestes a aceitar seu irmão gêmeo univitelin­o.

Candidatos em SP estão todos no mesmo barco do amplo desgaste e baixa credibilid­ade

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