Parceria gera excedentes para agricultura familiar
PROTOCOLO
A UNACA-Confederação e a Novacel assinaram esta semana, em Luanda, um protocolo de cooperação destinado a organizar os camponeses num sistema de produção auto-sustentável, destinado a melhorar a qualidade de vida e a criação de excedentes, para serem comercializados nos mercados nacional e internacional.
O director-geral da Novacel, Yassin Gulamhussen, referiu que entre os desafios em carteira constam a criação, a médio prazo, de um banco conjunto, para financiar os associados da UNACA-Confederação de Camponeses e Cooperativas Agro-Pecuárias de Angola. “Queremos conceber um conceito que seja um banco de microcrédito específico para os agricultores, porque as necessidades da agricultura são diferentes das de uma loja ou de uma empresa”, esclareceu.
Em relação ao capital do banco, referiu que o valor inicial vai obedecer à legislação (instrutivo) do BNA, enquanto a Novacel vai trabalhar internamente para depois negociar com os bancos existentes, a fim de estudar qual deles pode oferecer melhores condições aos agricultores.
Yassin Gulamhussen declarou ser igualmente propósito do acordo desenvolver actividades formativas, capazes de permitir aos camponeses produzir de modo diversificado para os mercados nacionais e internacionais.
O combate à pobreza passa também pela formação dos gestores de cooperativas agro-pecuárias e dos camponeses, dotando-os das melhores práticas de produção agrícola, mais eficientes e eficazes, que contribuam para reduzir a perda e a deterioração de produtos do campo, salientou Yassin Gulamhussen. Presente também no acto, o consultor do projecto Abel Afonso Livongue anunciou que os agricultores vão ser formados através do projecto “Quinta Pedagógica”.
“Prevemos que o projecto arranque já a partir da próxima semana. Já se mobilizaram recursos humanos e técnicos que vão permitir dar uma resposta de excelência naquele que é um projecto inovador para o sector agrícola em Angola”, adiantou o cônsul.
A Quinta Pedagógica envolve acções práticas no campo e na sala de aula, sobre conceitos básicos de gestão de uma cooperativa, de produção, manuseamento de equipamentos de energias renováveis, entre outras técnicas, além de contribuir para o reforço do conhecimento dos agricultores e para a criação de muitos empregos.
Abel Livongue salientou que o protocolo incluiu também a criação de um projecto de rede de logística, mediante a instalação de um “call center” em cooperativas das 18 províncias, concebido para colmatar a insuficiente da rede logística e comercialização.
“É um projecto para interligar as cooperativas. Quem tiver milho excedente, por exemplo, não precisa de ir a Luanda. A partir da sua província liga para outras, a fim de os abastecer. É uma maneira de fazer chegar os produtos com mais rapidez e eficácia aos clientes, envolvendo acordos com grandes superfícies comerciais”, adiantou.