Na frente para render Hjulmand
Daniel Bragança marcou pontos no jogo com o Santa Clara, mas o belga tem maior poderio físico para um jogo de alta intensidade frente ao Arsenal
Rui Borges tem por estes dias uma dúvida quase existencial perspetivando o onze a apresentar amanhã diante do Arsenal e prende-se com que homem vai tentar travar a meio-campo os gunners isto no lugar de Morten Hjulmand, que não poderá jogar a primeira mão dos quartos de final da UEFA Champions League por castigo.
Recuando só um pouquinho atrás na fita do tempo, mais concretamente a uma sexta-feira que foi Santa para os leões na sequência da vitória por 4-2 diante do Santa… Clara a opção mais natural seria Daniel Bragança, tendo em conta a boa exibição do esquerdino no jogo 150 na equipa principal do leão, culminada com um golo na sequência duma triangulação perfeita com Pedro Gonçalves, primeiro, e depois com Rafael Nel. No entanto, pelos dados apurados por A BOLA, de momento, não é o camisola 23 que está na pole position para render o dinamarquês mas sim Zeno Debast.
A explicação para esta ideia de Rui Borges é relativamente fácil de encontrar e passa, também, pela estampa física de um e de outro, pois se Bragança tem 1,78 m e 71 kg de peso, Debast tem 1,91 m e 78 kg, o que lhe confere uma muito maior capacidade de choque.
Amanhã será necessário impetuosidade (controlada) e fôlego para travar um setor intermediário do Arsenal composto por jogadores que conseguem aliar alta rotação a aspetos técnicos (muito) relevantes, como por exemplo, Declan Rice, Odegaard ou Zubimendi. Por aqui se explica a provável titularidade de Debast numa posição mais recuada a meio-campo, isto no pressuposto de que a seu lado terá Morita, pois é muito pouco crível que
Debast foi contratado para central, mas fez grande parte da formação no Anderlecht a médio defensivo
Rui Borges abdique da inteligência tática do nipónico num encontro em que esta será (tão) necessária.
Poder-se-á levantar a dúvida da pouca rotina do central Debast à posição de trinco mas também aqui o enigma se desfaz pelo facto de muitas vezes durante os jogos, na dinâmica da equipa, o belga pegar na bola para assumir a primeira fase de construção. Além disso, é preciso ter em atenção que o camisola 6 fez grande parte da sua formação no Anderlecht como médio defensivo, apenas recuando para central nos sub-17.
Debast também confere à equipa outro aspeto relevante que passa pela capacidade de remate de longa distância. Aliás, os dois golos pelo Sporting foram em lances deste tipo, com míssil lançado ao Lille na Champions da época passada a ficar na memória coletiva. Além deste, há também o golo frente ao Gil Vicente para a Taça de Portugal em 2024/2025.
Na temporada em curso ainda está em branco em registo de golos mas só no Sporting, em virtude de ainda recentemente, na data FIFA, pela Bélgica ter apontado um belíssimo golo diante dos EUA.
Logo após o final do encontro com o Santa Clara, Rui Borges foi perguntar de imediato como se sentia após ter sentido um desconforto na coxa na sequência dum contra-ataque dos açorianos, algo que dá pistas sobre as ideias do técnico para amanhã. Outra opção na cabeça de Borges será a titularidade de João Simões, algo que já aconteceu seis vezes em 2025/2026 na Champions mas nos últimos tempos o jovem perdeu fulgor…