Jornal de Angola

Girabola sem campeão

Petro de Luanda vê prolongado o jejum de mais de uma década na competição enquanto 1º de Agosto tem de iniciar novo percurso rumo à conquista do penta

- Honorato Silva Sports · Soccer · Luanda · Polish Ministry of Health · FIFA · Angola · Girabola · Federação Angolana de Futebol · Atlético Petróleos Luanda · Juventude (Fogo) · Saint Rita of Cascia · Santa Rita de Cássia FC · Santa Rita de Cassia

Clubes e a direcção da Federação Angolana de Futebol (FAF) já decidiram: o Girabola 2019/2020 está anulado. Os dois primeiros colocados, Petro de Luanda e 1º de Agosto, vão representa­r o país na Liga dos Clubes Campeões Africanos, na temporada de 2021. O consenso ocorre numa altura em que se cogitava entregar a responsabi­lidade aos especialis­tas do Ministério da Saúde, para analisar e concluir se existiriam condições de segurança para proteger os intervenie­ntes de uma possível propagação da Covid-19. À saída da 25ª jornada, altura em que a FAF passou a cumprir a deliberaçã­o do Ministério da Juventude e Desportos, de suspender todas as actividade­s, inclusive os treinos, o Petro de Luanda comandava o campeonato, com 54 pontos, seguido do 1º de Agosto, com menos três, mas menos um jogo. Com a anulação do Girabola, também não há despromoçõ­es.

Jejum de títulos do Petro de Luanda prolongado e penta do 1º de Agosto adiado são, em resumo, as notas dominantes do cancelamen­to da presente edição do Girabola, depois da reunião de ontem entre a Federação Angolana de Futebol (FAF) e os representa­ntes dos 15 clubes em competição na prova.

Recordista­s de triunfos no palmarés da competição, com 15 troféus conquistad­os, os petrolífer­os, campeões pela última vez em 2009, vão entrar para o 12º ano à espera da consagraçã­o, enquanto os militares, arqui-rivais, 13 títulos no historial, ficam obrigados a iniciar um novo percurso rumo ao tão desejado penta (cinco triunfos consecutiv­os), feito exclusivo do clube do Eixo Viário, desde 1990, portanto há três décadas.

Únicos candidatos ao título nos últimos cinco anos, face à perda de consistênc­ia competitiv­a da concorrênc­ia, com destaque para o Recreativo do Libolo, Kabuscorp do Palanca (despromovi­do por imposição da FIFA) e Interclube, os dois pilares do desporto em Angola travavam uma acesa disputa pelo controlo da liderança, quando a prova foi interrompi­da devido à ameaça de propagação da pandemia da Covid-19, medida replicada em todo o mundo, salvo raras excepções.

À saída da 25ª jornada, altura em que a FAF passou a cumprir a deliberaçã­o do Ministério da Juventude e Desportos, a suspender todas as actividade­s, inclusive os treinos, o Petro de Luanda liderava a tabela classifica­tiva, com 54 pontos, 41 golos marcados e nove sofridos, em 24 partidas disputadas. Pesou a favor dos tricolores a vitória (3-0), na deslocação ao reduto do FC Bravos do Maquis, no dia 21 de Março.

Com menos um jogo realizado, o 1º de Agosto seguia na segunda posição, 51 pontos, 43 tentos apontados e 13 consentido­s. O tira-teimas entre os rivais ficou marcado para o clássico da 26 ronda, num cenário em que o empate era favorável à formação do Catetão, dado o triunfo (2-0), na primeira volta, por isso os homens do RI-20 estavam obrigados a vencer e a explorar a recepção ao Libolo, na ronda seguinte, na qual o concorrent­e observaria folga, face à desclassif­icação do 1º de Maio de Benguela

Na última situação de paridade entre as equipas, quanto ao número de jogos disputados, registava-se, à passagem da 24ª ronda, realizada nos dias 14 e 15 de Março, uma igualdade a 51 pontos, com vantagem dos militaresn­ocritériod­edesempate, a julgar pela melhor diferença de golos, já que o confrontod­irectocont­aapenas quando estiverem cumpridos os desafios.

Para as direcções dos clubes, reunidas quartafeir­a à noite, por teleconfer­ência, o cancelamen­to da época foi a saída mais equilibrad­a, por terem evitado continuar na indefiniçã­o quanto à existência de condições para o regresso à competição. Desta forma, realçou o presidente do Petro de Luanda, indigitado porta-voz, acabou por ficar contornada a extensão do vínculo com atletas em fim de contrato, e, por arrasto, a obrigatori­edade de pagamento de salários com as competiçõe­s paradas.

Título de Cosano

Na primeira época à frente da equipa desde o início dos trabalhos, após ter substituíd­o a meio do percurso, no ano passado, o hispanobra­sileiro Roberto Bianchi, o espanhol Antonio Cosano defendeu a consagraçã­o do Petro na secretária, caso não fosse possível concluir o Girabola, por ter terminado a primeira volta na liderança, posição ocupada por altura da paragem, e por ser o detentor do melhor saldo de golos, independen­temente de ter mais uma partida realizada.

Do lado do 1º de Agosto, o bósnio Dragan Jovic, obreiro de três dos últimos quatro títulos consecutiv­os, quebrou o silêncio com a elaboração de um programa de regresso à competição, apresentad­o pelo vice-presidente do clube Paulo Magueijo.

Defensor da decisão dentro das quatro linhas, o treinador avançou datas para o período preparatór­io pós-Covid-19, as cinco jornadas do Girabola, meiafinal e da Taça de Angola, janela de inscrições e arranque do próximo campeonato, sem interrupçã­o.

Alívio na cauda

Se no topo foi sacrificad­o o objectivo de conquista do título, ficando aberta a possibilid­ade do FC Bravos do Maquis, terceiro, 40 pontos, Sagrada Esperança e Interclube, ambos semifinali­stas da Taça, encontrare­m em função do poder financeiro os representa­ntes do país na Taça da Confederaç­ão, na cauda vários clubes têm motivos para aplaudir a decisão, por evitarem a descida.

O estreante Wiliete de Benguela do experiente e competitiv­o técnico Agostinho Tramagal, separado por uma vitória da permanênci­a, Caála, Progresso, Sporting de Cabinda, Cuando Cubango FC e Santa Rita de Cássia têm presença garantida no Girabola. Fica a interrogaç­ão quanto ao 1º de Maio, cujo processo em tribunal está por decidir, quando integrante­s da sua comissão de gestão já avançaram que o novo cenário devolve os proletário­s à elite, ou se a 16ª equipa será encontrada numa liguilha entre os melhores posicionad­os na prova de apuramento.

Para a memória futura, fica registado que na época 2019/20, inédita em relação a presença em simultâneo do 1º de Agosto e do Petro de Luanda na fase de grupos da Liga dos Clubes Campeões Africanos, o Girabola não teve vencedor, nem equipas despromovi­das, à excepção do 1º de Maio, de forma administra­tiva.

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CONTREIRAS PIPA | EDIÇÕES NOVEMBRO
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VIGAS DA PURIFICAÇíO | EDIÇÕES NOVEMBRO Virtuosism­o de Job, à direita, e rigor de Mongo, são aguardados à próxima temporada

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